11/04/2019

Psicólogo Infantil: Fonte de apoio emocional para seu filho e sua família

A ida a um psicólogo infantil traz benefícios não só para a criança, como para todos os envolvidos na vida dela.

O trabalho do profissional se baseia na busca em ajudar as crianças a desenvolverem estratégias úteis e práticas para lidar com algumas dificuldades emocionais e/ou comportamentais que venham a apresentar.

Isso poderia envolver diversas questões como:

  • Aprender a se comunicar melhor;
  • Pensar sobre situações de uma perspectiva diferente;
  • Gerenciar a frustração;

Aumentar a confiança de que eles podem lidar com situações de ansiedade.

Trabalhar em colaboração com os pais é uma ótima alternativa aqui, para alinhar o trabalho da psicóloga com o convívio em família.

Em quais situações a psicoterapia pode ser útil para a criança?

A psicoterapia com a criança pode ser útil em qualquer momento da infância, quando há sinais de sofrimento e questões relacionadas ao desenvolvimento.

Geralmente, esse sofrimento pode ser resolvido em casa com o carinho e atenção dos pais, porém, pode acontecer desta família precisar da ajuda de um profissional para entender o que se passa com o filho, caso esse sofrimento persista.

Existem diversas questões e motivos que podem levar a criança ao sofrimento, e o que acontece, muitas vezes, é que a criança não consegue falar a respeito ou lidar com eles.

Então, essa dor psíquica pode transfigurar-se em diversas formas, tais como a agressividade, a apatia, a ansiedade e o medo.

Em alguns casos, o psiquismo em sofrimento pode manifestar-se também pelo corpo, por meio de enfermidades constantes e/ou diarreias e vômitos.

É o que chamamos de psicossomatização.

É válido ressaltar também que, um bom rendimento escolar não significa, necessariamente, a ausência de sofrimento.

É importante que os pais, cuidadores e educadores estejam atentos aos sinais que as crianças dão no dia a dia nos diversos ambientes em que ela está inserida.

O comportamento da criança

Decifrar o comportamento infantil não é tarefa fácil para os pais.

A busca por respostas costuma esbarrar na maneira como eles criam os filhos, na quantidade de “nãos” que conseguem dizer a eles e nos limites que são capazes de impor.

Muitas vezes, os adultos intuem como devem agir, mas o medo de frustrar as crianças acaba resultando em resignação.

“Elas são assim mesmo”, dizem.

Crianças têm atitudes-padrão em cada fase da vida, contudo, isso não significa que os adultos tenham de acatar ordens e aceitar todos os ataques como naturais no processo de desenvolvimento.

Especialistas em educação e comportamento infantil, sugerem alguns caminhos para lidar com tais ataques:

Meu filho tem a mania de morder as pessoas. Como mostrar a ele que isso é errado?

É até esperado que crianças façam isso até os 3 ou 4 anos de idade, porém, os adultos não podem permitir que mordam, porque machuca, é errado.

No momento em que a criança morder um coleguinha ou qualquer outra pessoa, é aconselhável a boa e velha conversa olhos nos olhos.

Fique na mesma altura que a criança e fale firmemente que isso não pode nem deve mais acontecer porque machuca e dói.

Os pais têm de deixar claro que não aprovam o comportamento porque, mesmo elas não tendo noções claras de certo e errado, não podem fazer tudo que querem.

Isso não significa que o comportamento não vá se repetir, mas todas as vezes em que isso ocorrer é necessário deixar clara sua posição.

Porém, caso venha a acontecer com frequência, isso significa que a agressão está se tornando um hábito e é preciso buscar a ajuda de um profissional.

Como devo agir diante de um ataque de fúria do meu filho em locais públicos?

A sugestão é você tentar impedir abraçando a criança por trás na tentativa de contê-la e mostrar sua contrariedade.

A chave aqui é nunca dizer que você está contra ela, mas que o comportamento dela é errado, que você não aprova a maneira de ela agir.

Se não der resultado e ela não estiver correndo perigo, se batendo, por exemplo, sugiro que os pais se afastem.

É melhor do que ficar perto, morrendo de vergonha do que as pessoas estão pensando de você como mãe e acabar cedendo.

Ao perceber que os espectadores que importam não estão presentes, ela vai parar.

Outra saída é pegá-la no colo e levar para o carro, gritando mesmo.

Quando ela se acalmar, converse com ela, mas jamais volte para fazer a vontade dela.

Devo intervir quando o caçula bate no irmão mais velho?

Sim, pois a agressão física não deve ser tolerada de maneira alguma.

É importante para a criança aprender a expressar a raiva ou o ciúme usando as palavras, pois os sentimentos devem ser transformados em palavras, e não em tapas.

No caso de um bebê menor de 2 anos, os pais devem segurar sua mão e dizer que não pode bater, mostrar que o irmão está triste, que machuca.

Em vez de dizer à criança que ela “tem de” gostar do irmão, o correto é sentar e tentar entender o que está acontecendo e explicar que você também sente ciúme, que é normal, mas que nem por isso sai estapeando os outros.

Aliás, este é um ponto importante: o do exemplo.

Quando é contrariado, meu filho começa a gritar. Como posso mostrar que isso é errado?

Como você costuma reagir ao ser contrariada?

Se leva uma fechada no trânsito, reage aos berros? Se você não consegue se controlar, a criança pode estar apenas repetindo o que vê. Pense nisso.

Aceitar as frustrações é uma dificuldade grande hoje em dia para pais e filhos.

Quantas vezes você não se frustra por não ganhar mais ou não ser reconhecida no trabalho como deveria? Aprender a lidar com os nãos da vida é fundamental para crescer.

Minha filha vive dando escândalos em locais públicos. Como devo repreendê-la?

Crianças com esse tipo de comportamento recorrente podem estar sendo educadas sem limites e se sentem carentes de afeto e atenção.

Por não se sentirem amadas, elas tentam cada vez mais chamar a atenção dos pais.

Isso não quer dizer que os pais não as amem, apenas que não estão sabendo demonstrar isso.

Outra razão é que muitos pais também não conseguem entender o papel da frustração e temem não ser amados se não fizerem tudo pelos filhos.

Acabam criando pessoas que não se satisfazem com nada.

Numa situação como essa, é aconselhável tentar acalmá-la, abaixando-se para conversar na mesma altura que ela.

Se não resolver, pegue a criança e leve-a para o carro, para casa, espere que ela se acalme e aí converse.

Meu filho é muito tímido. Como posso incentivá-lo a interagir com os outros?

Ser introspectivo, mais quieto, com poucos amigos, não é um problema, mas um temperamento, e faz parte da personalidade.

A extroversão também pode ser uma fonte de angústia.

Os pais só devem se preocupar se a criança não consegue se relacionar, participar de brincadeiras coletivas ou não gosta de estar com outras pessoas.

Nesse caso, é preciso buscar a ajuda de um profissional.

Mas, se é apenas timidez, é bom incentivá-lo a brincar com outras crianças, chamar os coleguinhas para passar a tarde na sua casa, deixar que ele faça seu pedido no restaurante, pequenos gestos que podem ajudá-lo a se comunicar melhor.

Como convencer meu filho a tomar banho ou trocar de roupa corretamente?

Por volta dos 2 anos de idade, por exemplo, a criança começa a reivindicar a posse sobre o próprio corpo, até então cuidado somente pelos outros.

Uma sugestão para quando ela não quer tomar banho é fazer o jogo da autonomia, dando ferramentas e negociando.

Como por exemplo: você compra uma esponja bacana, um sabonete especial e deixa que ela se lave sozinha, com sua supervisão.

Em troca, uma vez por semana você dá aquele super banho. Na hora de se vestir, também é importante deixar a criança escolher.

Ciúmes entre irmãos: como lidar com isso?

Os ciúmes entre irmãos são relativamente comuns e normais na infância.

Este é um tema importante e que costuma preocupar os pais, pois o irmão mais velho parece sentir que outra criança está tomando o seu lugar.

De repente, ele “ganha um irmãozinho” e já não é mais o rei da casa.

Agora, precisa compartilhar o trono com alguém que parece exigir mais atenção, com alguém que coleciona muitos olhares e sorrisos.

Alguém com quem vai começar a se comparar.

Esta situação em que a criança já não ocupa aquele lugar onde estava feliz e se sentia tão segura, acaba gerando medo.

Medo de perder um lugar privilegiado. Um lugar onde todos a olhavam, protegiam e amavam. Agora, parece que esse amor (já totalmente estabelecido e seguro) está ameaçado.

Quando o nascimento do irmão é uma catástrofe para o primogênito

A criança “destronada” se sente frustrada e impotente.

A sua mente lhe sussurra mensagens de medo, e às vezes, mensagens que são um pouco catastróficas.

Todas elas têm a ver com a sua sobrevivência: o seu amor não é mais retribuído, não é digno do amor que recebia.

Agora, terá que lutar por esse amor.

Terá que fazer algo para recuperar o mesmo tipo de carinho e atenção recebidos anteriormente sem nenhum esforço.

Normalmente esses ciúmes entre os irmãos vão desaparecendo à medida que as crianças crescem.

O problema ocorre quando esses ciúmes racionalmente lógicos não cessam e se intensificam ao longo do tempo.

Nesse caso, outras variáveis estão intervindo e os pais precisam tomar cuidado.

Esse sentimento não pode ser minimizado e precisa ser observado com atenção.

Muitas vezes, os pais acabam dando mais atenção à criança ciumenta, mas isso não é suficiente para ela.

De certa forma, ela age dessa maneira para continuar recebendo certos “privilégios” que de outra forma não conseguiria tão facilmente.

Entenda as individualidades de cada um

É importante entender que cada caso é único e tem as suas próprias peculiaridades.

Há crianças que já têm uma certa predisposição ao ciúme.

Para outros esses episódios de raiva se desenvolvem apenas nessa situação particular.

Ou há nascimentos que coincidem ou desencadeiam uma série de distúrbios emocionais nos pais.

Cada família e suas circunstâncias são únicas.

É importante compreender a origem dos ciúmes entre irmãos, e criar um ambiente emocionalmente estável para a criança faz parte da solução.

Como cada caso é único, a origem desse ciúme entre os irmãos deve ser entendida.

Isso pode ser um reflexo da personalidade da criança ou do estilo afetivo dos seus pais.

Os ciúmes entre os irmãos também podem refletir o momento emocional que a família está atravessando, o momento em que o novo nascimento ocorreu.

Se conseguirmos compreender como a criança está sofrendo, poderemos compreendê-la melhor e agir com serenidade.

A criança tem as suas próprias emoções e é igualmente digna e merecedora de respeito, não importa a sua idade.

Não podemos permitir que essas emoções conflituosas acabem gerando mais sofrimento e caos familiar do que já estão gerando.

Os episódios de raiva contra o irmão menor precisam ser resolvidos: converse bastante com o filho mais velho.

É preciso dar atenção e aprovar os comportamentos positivos que o filho demonstra.

Todo comportamento de cooperação e autoconfiança deve ser reconhecido, valorizado e reforçado.

Na maioria dos casos, é o que a criança necessita: se sentir segura, ter confiança em si mesma e no seu ambiente próximo.

Os ambientes muito variáveis ​​e instáveis ​​acabam gerando um caos no desenvolvimento emocional da criança.

Portanto, na medida do possível, devemos gerar ambientes saudáveis ​​onde as crianças se sintam protegidas e seguras do carinho dos seus pais.

Dê bons exemplos

Normalmente, as crianças aprendem através do exemplo dos adultos.

Por esta razão, é muito importante ensinar aos filhos valores que eles possam utilizar nas suas interações com os outros: valores positivos como a solidariedade ou a alegria.

Em vez de perceber as conquistas das pessoas com raiva e inveja, percebê-las como algo que não afeta a sua segurança ajudará a criança a ver a realidade de outra forma.

A criança se sentirá mais segura em um ambiente onde as suas boas qualidades são valorizadas, do que em um ambiente no qual as suas falhas são constantemente apontadas.

Seria uma forma de educação “positiva”, na qual aplaudimos os comportamentos saudáveis ​​e procuramos extinguir aqueles menos adaptativos e mais perturbadores.

POR Liana Michelon Martins
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